Prof. Israel Mattozo ensinando como escrever prompts para licitações e contratos públicos

Como Escrever Prompts Para Licitações E Contratos Públicos

  • 22/09/2026 às 19:30

  • Novidades

Se você pede a uma inteligência artificial "faça um ETP" e recebe um documento genérico, o problema pode não estar na ferramenta. Pode estar no seu comando. Na IA generativa, uma resposta ruim muitas vezes começa com uma pergunta ruim.

Este é o terceiro artigo da série sobre inteligência artificial nas contratações públicas, com base na aula do Prof. Israel Mattozo, advogado, professor e diretor do Instituto Educacional Pontes de Miranda. Aqui você aprende um método simples para construir prompts realmente úteis em licitações e contratos.

O que é um prompt

Prompt é, em termos simples, a instrução que você fornece à ferramenta. Um bom prompt é uma forma organizada de explicar a tarefa, contextualizar dados, definir limites e descrever o resultado esperado.

Os cinco elementos de um bom prompt

1. Papel

Diga qual perspectiva você quer que a ferramenta adote. Por exemplo: atue como assistente de uma equipe de planejamento de contratação pública. Repare na palavra assistente. A ferramenta apoia quem tem competência para analisar, e não decide pela administração.

2. Contexto

Explique a situação. "Somos uma Secretaria Municipal de Saúde e precisamos avaliar soluções para transporte programado de pacientes entre três unidades de atendimento" é muito melhor do que "faça um ETP para transporte". Quanto mais contexto relevante, mais aderente tende a ser a resposta.

3. Dados

Essa é a parte que muita gente pula. Quantidade de usuários, histórico do contrato anterior, rotas, frequência, recursos, limitações, prazo e problemas já observados. A inteligência artificial não deve preencher lacunas factuais como se conhecesse o município.

Inclua uma ordem muito útil: se faltar informação necessária, não invente, liste as perguntas que precisam ser respondidas antes de continuar. Esse comando simples melhora bastante a segurança do uso.

4. Tarefa

Diga exatamente o que você quer. Organize as informações em uma estrutura de diagnóstico. Liste alternativas de solução que a equipe deverá investigar. Identifique premissas que ainda precisam ser comprovadas. Compare estas duas opções apenas com base nos dados fornecidos. Revise esta justificativa e indique trechos que exigem evidência documental. Perceba como isso é diferente de pedir um documento pronto, sem qualquer critério.

5. Formato da resposta

Se você quer tabela, perguntas ou tópicos, especifique. Também é possível pedir que cada afirmação seja marcada como informada pela administração, como inferência ou como algo que necessita de validação. Formato melhora o controle.

Exemplo prático: mapa de riscos da merenda escolar

Em vez de escrever "faça um mapa de riscos para contratação de merenda escolar", você pode escrever: "Atuando como assistente da equipe de planejamento, analise exclusivamente os dados abaixo, identifique eventos que possam comprometer o planejamento, a seleção do fornecedor ou a execução do contrato e, para cada risco, apresente causa, consequência, probabilidade preliminar, impacto preliminar, medida preventiva e contingência. Não invente dados. Quando inferir informação, sinalize expressamente. Ao final, apresente perguntas para validação pela equipe."

Isso muda completamente a qualidade da interação.

Quatro técnicas que elevam o resultado

  1. Dividir tarefas complexas. Organize os fatos, identifique as lacunas, trabalhe alternativas e só depois revise o documento. Isso permite corrigir premissas antes que um erro contamine todo o resultado.
  2. Fornecer critérios. Ao revisar uma justificativa, peça análise de clareza do problema, relação entre causa e solução, existência de dados, coerência, riscos e pontos que precisam de comprovação.
  3. Pedir crítica, não confirmação. Em vez de usar a ferramenta para validar o que você já quer fazer, peça os argumentos contrários, as fragilidades do raciocínio, o que um auditor questionaria e quais alternativas foram ignoradas.
  4. Trabalhar com fontes fornecidas. Se você tem uma norma, um manual, um contrato anterior ou uma orientação institucional, forneça o material quando isso for permitido e peça que a resposta se limite àquele conteúdo. Diga expressamente: quando a fonte não tratar do tema, informe que não encontrou fundamento em vez de completar com suposição.

O que um bom prompt não resolve

Um prompt excelente não elimina alucinações, não transforma o modelo em autoridade jurídica, não substitui pesquisa oficial e não corrige dados errados fornecidos pelo próprio usuário. Se você alimenta a ferramenta com premissas equivocadas, ela pode produzir uma resposta coerente sobre uma base falsa.

Por isso, prompt engineering na administração não é aprender truques para falar com a IA. É aprender a organizar melhor o próprio problema. Para escrever um bom comando, o servidor precisa saber qual é a finalidade, quais são os fatos, o que ainda não sabemos, qual tarefa precisa ser realizada e qual resultado esperamos. Essas são perguntas de boa gestão, com ou sem inteligência artificial.

Resumo do método

Papel, contexto, dados, tarefa e formato. E acrescente sempre três salvaguardas: não invente informação, aponte o que precisa ser validado e permita revisão humana antes de qualquer uso oficial.

Perguntas frequentes

O que é prompt engineering na administração pública?

É a prática de estruturar instruções claras para ferramentas de IA, definindo papel, contexto, dados, tarefa e formato, de modo que a resposta seja útil e verificável.

Como evitar que a IA invente dados em um ETP?

Forneça os dados reais e inclua no comando a instrução de não inventar, listando as perguntas que precisam ser respondidas antes de continuar.

Qual a melhor forma de revisar um documento com IA?

Peça crítica em vez de confirmação: fragilidades do raciocínio, argumentos contrários, o que um auditor questionaria e quais alternativas foram ignoradas.

Um bom prompt elimina o risco de erro?

Não. Ele melhora a qualidade da resposta, mas não substitui pesquisa oficial nem revisão humana antes de qualquer uso no processo.

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